sábado, 11 de abril de 2009

Curiosidade: As Sete maravilhas do Mundo

As Sete Novas Maravilhas do Mundo foram escolhidas em concurso informal promovido pela New Open World Foundation, com o lançamento da campanha New 7 wonders, os votos foram dados por telefone e pela internet. A lista das escolhidas foi anunciada em uma cerimônia realizada em Lisboa, Portugal no dia 7 de julho de 2007. Esse concurso não teve o apoio nem participação da UNESCO. As 7 Maravilhas Modernas São: 1ª Maravilha, Muralhas da China - Começou a ser construída pelo Imperador chinês Qin Shihuang da dinastia Qin e continuou a ser construída por várias outras dinastias. Afirma-se que essa construção pode ser vista da lua, mas isso não é verdade. Construída como forma de defesa, essa fortaleza possui em sua extensão, muros, torres e passagens construídas de maneira estratégica, atravessando montanhas, desertos e desfiladeiros. Quantos quilomêtros a muralha tem? sabe-se que chegou a ter mais de 50 mil quilomêtros de construção, mas muitos trechos não existem mais. 2ª Maravilha, Petra - Jordânia Petra, Cidade de Pedra Cor-de-Rosa, é um tesouro arqueológico em ruínas compostos por templos e tumbas esculpidas em pedra de tonalidade cor-de-rosa. 3ª Maravilha, Cristo Redentor Localizado no topo do morro do Corcovado, o Cristo Redentor é o Cartão Postal do Rio de Janeiro, Brasil. Tem 38 metros de altura, um monumento de Jesus Cristo, símbolo máximo do Cristianismo. 4ª Maravilha, Machu Picchu - Cuzco, Peru Também conhecida como a 'Cidade Perdida dos Incas', a 'Velha montanha', Machu Picchu é o símbolo máximo do Império Inca, localizado no Peru, um lugar mítico que guarda sagradas ruínas. Machu Picchu é hoje, um dos lugares mais visitados do mundo. 5ª Maravilha, Chichen Itza - Yucatán, México Cidade arqueológia da civilização Maia, chichén Itza, localizada Iucatã, cidade do México. Seu símbolo máximo é a Pirâmide de Kukulcán, um grande Templo Maia. Há outras construções arquitetônicas, como: O templo de chac Mool, Praça das Mil colunas e o Campo de Jogos dos Prisioneiro, que também fazem parte desse complexo arquitetônico. 6ª Maravilha, Coliseu - Roma, Itália Um Anfiteatro localizado no Centro de Roma construído no Império Romano. Em ruínas, o Coliseu é uma das maiores atrações turísticas de Roma. Anualmente, na semana Santa, o Papa, lidera a procissão da Via Sacra até o coliseu toda as Sextas-feiras Santas. 7ª Maravilha, Taj Mahal - Agra, Índia É um monumento feito de mármore branco, em homenagem a esposa favorita do Imperador Shah Jahan, que morreu ao dar à luz ao 14º filho. O taj Mahal foi construído em cima do túmulo de Aryumand Banu Began, esposa do imperador. Sua cúpula é costurada com fios de ouro e nas inscrições retiradas do Corão, há pedras semipreciosas incrustadas. O Taj Mahal é um complexo que inclui canteiros de flores, caminhos elevados, avenidas de árvores, fontes, cursos de água e pilares que refletem a imagem dos edifícios na água. Segundo a UNESCO, existem aproximadamente 851 locais espalhados pelo mundo, listados como Patrimônios Mundiais. É claro que todas as Maravilhas listadas como vencedoras são merecedoras de tal título, mas insistir em limitar esse número em SETE, parece injusto com países como a França, que teve a Torre Eiffel de fora dessa listagem e que sob vários aspectos tem mais importância cultural do que algumas maravilhas escolhida sob forte apelo nacional, incentivado e direcionado por interesses comerciais. Mais justo seria aumentar o número de maravilhas, escolher uma maravilha por país ou avaliar melhor a importância cultural das candidatas. Quem sabe no futuro essa não seja uma iniciativa da Unesco.

Pesquisadores Descobrem na Austrália Cópia da Lista de Schindler

Lista de Schindler contém 13 páginas com o nome de 801 judeus, salvos do Holocausto pelo alemão Oskar Schindler, um ato digno e solidário ocorrido em um dos momentos mais sombrios da história da humanidade. Essa semana a biblioteca estadual de New South Wales divulgou uma foto das 13 páginas, cópias da original em papel carbono que foi achada pelo pesquisador Olwen Pryke na Austrália. A história de Oskar Schindler foi filmada por Steven Spielberg no ano de 1993, com título "A Lista de Schindler". Uma obra prima filmada em preto e branco que levou o oscar de melhor filme e direção. O filme, baseado no livro "Schindler's Ark" de Thomas Keneally, A Lista de Schindler, é apontado por muitos como sendo um dos dez melhores filmes de Hollywood. Foto de Oscar Schindler Oskar Schindler era um industrial, alemão sudeto, que nasceu na cidade de Zwittau-Brinnlitz no dia 28 de Abril de 1908. Fez parte do Partido Nazista após a anexação dos sudetos em 1938 e assim que estourou a Segunda Guerra Mundial, Schindler mudou-se para a Polónia, cidade de Cracóvia, onde abriu uma fábrica e empregou trabalhadores judeus originados do gueto de Cracóvia (lugar de confinamento de judeus). Os operários de Schindler trabalhavam durante o dia e à noite voltavam para a cidade de Plaszow. Em 1944 as tropas russas avançam e os administradores de Plaszow recebem a ordem para desativar o campo, o que significava dizer que os habitantes da cidade seriam enviados para outro campo de concentração onde seriam mortos. Oskar Schindler conseguiu convencer, por meio de suborno, que todos os 801 operários (judeus) listados, no que viria a ser a famosa 'Lista de Schindler', eram imprescindíveis à sua fábrica. Dessa maneira os judeus que trabalhavam para Schindler foram transferidos para a uma nova fábrica em Brnenec, cidade onde Oskar nasceu. Oskar Schindler morreu na alemanha, 9 de Outubro de 1974. Antes de Oskar Schindler morrer, o governo de Israel o homenageou escrevendo seu nome junto à uma árvore na avenida dos justos do Museu do Holocausto em Jerusalém, juntamente a outras personalidades não judias que ajudaram os judeus durante o Holocausto. O célebre Oskar Schindler para sempre será lembrado pela história digna e solidária que livrou homens, mulheres e crianças do Holocausto durante a Segunda Guerra mundial. O Blog Spiritus Litterae, da Editora Margareth Duval, publicou uma outra versão dessa história. Fonte: G1 Globo

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Há exemplos a seguir...

As pessoas que não se deixam derrotar pelas agruras da vida, merecem a nossa homenagem. Hoje é a vez de um jovem que frequenta duas universidades, uma no Lobito e outra em Benguela. Trata-se do irmão Dickyamini Bocolo, de 33 anos de idade, Secretário do Conselho-Fiscal do Círculo Rasta Fari de Benguela. «Eu estou no Direito [Universidade Católica] e estou no Isced. Foi sempre meu sonho, pretendo ser no futuro um jurista, quiçá constitucionalista. Mas como também estou ligado à área das ciências de educação, então, não posso abandonar a educação. Quem sabe, um dia possa vir a ter essa chance de ser professor na faculdade de Direito! E essa parte da educação, como é uma vocação, e o Direito, um desejo, e até porque são dois cursos que se complementam, então sigo História e Direito», justifica. Agora no 2º Ano, ele conta apenas com sua motorizada para galgar diariamente os 70 Km que correspondem à ida e volta entre Lobito e Benguela. É caso para dizer que Dickyamini Bocolo é “sinónimo” de vencer desafios. O seu dia-a-dia é exemplo disso mesmo. «Lecciono de manhã [no bairro do Alto-Chimbuila, na zona alta do Lobito], de tarde estou no Isced [Universidade pública, cidade de Benguela], e de noite estou na Universidade Católica [bairro da Caponte, Lobito]. Então, o que me dificulta mesmo conciliar é a parte de professor com as duas faculdades. Mas digo que a vida não é fácil, os sacrifícios muitas das vezes são importantes. Há pessoas que podem estar a dizer que “esse gajo vai frustrar-se, é um maluco”. Mas enquanto tivermos fósforo e capacidade intelectual, então, vamos continuar neste desafio».
De seu completo Dickyamini Sebastião Bocolo Rodrigues é natural da Ingombota, Luanda, residindo em Benguela há 13 anos. Por cá constituiu família, sendo pai de três filhos. Foi também em Benguela que Dickyamini aderiu ao Círculo Rastafari de Benguela. «Assim que cheguei, aderi logo ao movimento rasta-fari, que era já um sonho fazer parte desta família revolucionária, uma família de jovens que decidiu apoiar o progresso social. Desde aí, fui ascendendo a determinados cargos. Comecei como secretário para actividades do Círculo Rastafari de Benguela, depois fui para secretário para relações públicas. Em 2000 fui eleito como secretário executivo. De 2001 a 2002, tivemos uma outra eleição, onde fui reeleito, pelo trabalho que fui prestando ao CRB». Amigo da música, do teatro e da literatura, Dickyamini é também professor do ensino primário há cinco anos. No entanto, reconhece que nem sempre um rasta é bem encarado pela sociedade. «Ao longo da minha trajectória como activista, tive algumas dificuldades com a minha inserção social por ser membro de uma comunidade que ainda, em alguns círculos sociais, é discriminada, a comunidade rastafari. Mas soube sempre mostrar às pessoas que a revolução não se faz com os fracos. E até hoje, àquelas pessoas que fazem de mim um “monstro”, tenho também feito o possível esforço de transmitir que a vida não é fácil». Só nos resta reforçar os votos de êxitos ao batalhador, esperando muito sinceramente que a defesa de tese não seja agendada para o mesmo dia, já que a lei da física não permite estar em dois lugares no mesmo instante. Até lá, irmão Dickyamini, força!
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..................... (*) Matéria emitida na edição nº 10, de 07/04. “Nossa Homenagem” é oferta do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta.....AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”. Fonte: Angola, Debates & Ideias

Páscoa um marco para os cristãos de todo mundo

A Páscoa é o maior símbolo da cristandade, uma data onde os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo, a vitória sobre a morte após sua Crucificação, reforçando a crença na vida eterna. A Páscoa cristã não possui uma data fixa, cada ano ela cai em um dia diferente, isso porque, segundo a tradição cristã o dia da Páscoa é determinado como sendo o primeiro domingo após a lua cheia seguinte à entrada do equinócio de outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte, fenómeno natural que ocorre sempre entre o dia 22 de Março e 25 de Abril.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Espaço Opiniao: NOÇÃO DE ESTADO EM ÁFRICA

Por: Benvido Luciano, Lic

Durante esta semana estava pensar: “Apesar da Cooperação Internacional, o peso da dívida externa e as políticas de ajustamento estrutural têm constituído sérios constrangimento e provocado graves distorções ao processo de desenvolvimento económico das sociedades africanas”. Dai que partilhei com alguns dos meus amigos Félix, Lino, e vimos que dentre vários pontos que estão na base do meu pensamento, “Uma Boa Noção de Estado em África” pode diminuir determinados problemas que assola esta continente, conhecido também como – O Berço da Humanidade. NOÇÃO DE ESTADO EM ÁFRICA A forma do Estado é um determinado método de organização e de realização do poder estatal num determinado território o que se revela na estrutura e relações entre os órgãos do Estado e as regiões que a compõem e nos métodos de actividade do aparelho do Estado. Entre as várias funções do Estado, tenho a frisar a função jurídica, que visa a criação de norma jurídica, execução das normas do direito destinados a preservar as normas dos direitos; função não jurídica, consiste nos tipos de actividades de mecanismo estatais que não se encontram nas respectivas normas jurídicas, como exemplo, o trabalho organização promovidas pelos órgãos estatais. Estas funções de Estados realizam-se por meio de diversos métodos, alguns dos quais são comuns para todas as funções e outros são inerentes somente algumas destas funções. Dentro das funções jurídicas estão presentes as funções legislativas, executivas e judiciais. Nas funções não jurídicas estão presentes as funções políticas e funções técnicas[1]. Segundo a natureza do Estado, África tem uma geografia extensa, um povo e um território, e neste território o Estado exerce o poder político, dever político, quer colectivo, quer uma nação organizada. Esta é uma realidade desde que os seus países se tornaram independentes e os seus objectivos passam necessariamente pela Segurança, pela Justiça e pelo Bem-Estar social. Estes três objectivos de cada Estado (segurança, justiça e bem-estar social), no contexto da crise da dívida externa dos países africanos, tenho a salientar que a segurança, justiça e bem-estar social são três elementos essenciais que não deveriam faltar num país, desde que haja pessoa humana. A segurança num país dá tranquilidade e confiança no existir diário. Ela ajuda os cidadãos a viverem as suas liberdades, garantindo-lhes a liberdade e a firmeza existencial. A justiça é um bem social cuja realização ajuda os cidadãos a cumprirem os seus deveres e a gozarem dos seus direitos. O bem-estar social é o efeito normal, mais lógico e imperativo da presença e da concretização da segurança e da justiça num país habitado por pessoas. Nos países africanos, os Estados tencionam garantir o bem-estar social dos cidadãos, procurando implantar a segurança e a justiça nos respectivos países. Contudo, as circunstâncias históricas e as vicissitudes dos tempos forçam os governantes a arriscarem-se na procura das condições que permitam a vivência da justiça em segurança. Em atenção a isso, às vezes, eles são obrigados a recorrerem às Instituições estrangeiras a fim de pedirem ajuda económico-financeira. Porém, nem sempre os governantes africanos são bem sucedidos; acho eu, e disso estou convencido, que eles desejam fazer o bem para as populações africanas, mas não são capazes de o fazer. É lamentável. O culpado e as razões desse insucesso são claras e óbvias: ‘a pobreza, as dificuldades na gestão, a falta de segurança, da justiça e do bem-estar que abalam as populações dos Estados africanos, infelizmente assolam também, de uma forma profunda, os próprios governantes. Por isso, não é fácil deixar o óbito da mãe em casa para ajudar o vizinho a chorar a sua esposa’. Daí a razão da existência das dívidas externas, das guerras e dos outros males sociais nos Estados africanos, cujo controle escapa às capacidades dos actuais governantes africanos e reclama a mão mais séria e a cabeça mais erguida dos jovens africanos. Porém, ‘quando um pássaro não consegue controlar o seu ninho, os seus ovos acabam por enriquecer as galinhas domésticas’. Será que é a falta da noção de Estado em África? A meu ver, os Estados africanos têm uma independência formal e não material, são autónomos e sendo autónomos são uns Estados como quaisquer outros. A ser assim, o que poderá estar em causa, não é a noção dos próprios Estados mas sim os seus desenvolvimentos e rever as suas funções e os seus objectivos!!!!
EL BV – HAJA PAZ.

ESPAÇO: Crónicas

Crónica: Nós e a coabitação

Sempre que chega o sábado, tenho a obrigação de ir ao trabalho às 5H30. E é com o sentimento de estar a ser sub-aproveitado (na busca do poder de compra) que dou de caras com a rua. Quase que dá para ouvir a vizinhança e gente normal a ressonarem. Mas, quando passo pelo Café perto de casa, vejo gente a trabalhar e me dou conta do quanto a minha cruz não é seguramente a mais pesada. Eis um convite para desfazer o meu semblante de mártir. Sem tirar a mente do relógio, ocupo uma mesa, abro um livro ou rabisco um papel qualquer, enquanto espero que as meninas me venham atender. Um quarto d’hora é o máximo dos máximos que me resta gastar ali, pelo que seria desperdício passá-los na sala climatizada, quando se tem uma esplanada e uma rua meio acordada para apreciar. Como sempre, algo perturba-me. Com todo o respeito que tenho pelas pessoas que fumam, há que aceitar que o fumo do cigarro cheira mal, um contraste até ao gesto elegante com que se fuma. Mas enquanto o meu lado intolerante se lembra das teorias de “como fumam os que não fumam?”, revoltando-me em silêncio contra o papel de fumador passivo, cala-me um detalhe: a esplanada é lugar para fumadores, portanto quem se sente mal acomoda-se na sala climatizada. Aliás, está de parabéns a gerência por facilitar tal coabitação. Gosto desta palavra, “coabitação”, que é sinónima de precaução. E procuro sempre não incomodar os outros nos espaços públicos, à luz da idosa máxima “não faça aos outros o que não gostares que te façam”. Lembro-me de uma pessoa chegada, que preferia faltar às aulas a ter que suportar as guedelhas do professor, um intelectual rastafariano. Para dizer que as pessoas, às vezes, incomodam-se pelos mais inesperados motivos. Mas o que me surpreendeu (mesmo!) foi a cena de anteontem no “Quintal da Tia Xica”, um sítio para comer e beber na cidade de Benguela. Sob minha influência, decidimos (éramos cinco colegas) preterir a feijoada da “Mangueirinha”, optando pelo funji com carne grelhada e lombi. Mas como o tempo é dinheiro, vi-me forçado a aproveitar a demora da chegada do almoço para atender a incumbência urgente de converter em PDF um relatório e proposta de projecto da AJS. Não seria a primeira vez que trabalharia por cima do joelho num restaurante – por acaso até seria a terceira na “Tia Xica”. Nisto, explodiu de nervos Mr. Pirle, um homem do futebol interbairros no entanto um ilustre desconhecido para mim até aquele dia que tomava as suas cervejas. “AQUI É LUGAR PARA COMER, NÃO É PARA LIGAR ESTAS COISAS DE INTERNET!”, condenou. Não entendendo até que ponto um computador ligado daria cabo do sabor da cerveja, tratei de tranquilizá-lo: “não é nada de pornografia, ya!?”. O homem irritou-se ainda mais com o “ya!”, arranhando o limite da estupidez. “O senhor não me conhece, nem sabe o que estou a fazer…”, contra-ataquei, em vão. Finalmente entra em campo o garçon em serviço, que vem ter comigo e manda desligar o computador. Foi então que abandonamos o local, deixando o outro “em paz”, em direcção à “Mangueirinha” atrás da feijoada. Mas não sem antes oferecer um livro (da minha autoria), que foi imediatamente jogado ao chão. Sinceramente, é cada vez mais imprevisível o grau de intolerância do ser humano. Será que teremos de arranjar, nos restaurantes, um espaço também para “confinar” os utentes de computador? Gociante Patissa, 05 de Abril de 2009

Espaço: Exemplos

Heróis anónimos. Um marceneiro, professor e pai... «Tem havido entendimento na família», diz Júlio André

Descobrimos no bairro do Setenta, em Benguela, um homem de 41 anos, cuja história de vida merece homenagem. Chama-se Júlio André. Quanto à profissão, isto, depende do local em que se encontrar. Se em Benguela é marceneiro, no Bocoio é professor. Muito jovem ainda, Júlio André teve de abandonar os estudos. «Eu estive a fazer a sexta classe em 1996 mas, para fazer os exames, fui obrigado a trazer o recenseamento militar. Isso impediu-me, porque não tive recenseamento, não tive adiamento. Então, depois de parar de estudar, já que não fui admitido a fazer as provas, isto obrigou-me a procurar um mano que fazia o trabalho de malas e estofava também cadeirões», lembrou. As malas artesanais, vulgo "de chapa", eram a única fonte de sobrevivência. «As malas, que fazíamos, levávamos ao [armazém] “Fonseca & Irmão”. Fazíamos o câmbio com fuba [farinha de milho] e vendíamos a fuba. Por cada mala, nós recebíamos dois sacos [100 kg]». E chegou o tempo em que as malas já não tinham saída. Mais uma crise a vencer. «Quase em 1991, paramos. Então, o dono da carpintaria tinha um camião. Metemo-nos na via, fazíamos viagens, Benguela-Sumbe, Benguela-Huambo, Benguela-Lubango. Depois disso, quando consegui a minha esposa, a responsabilidade tornou-se maior. Logo, começamos a pesquisar outros meios. E vimos que havia a necessidade de fazermos esse trabalho de marcenaria», revelou. E como se dá o salto de marceneiro para professor? «Graças a alguns amigos ­ disse – que me incentivaram bastante [para] que pudesse continuar os meus estudos. Porque eu parei em 1986. Em 1992, depois da pequena paz, eu fiz ainda algum esforço, me matriculei. Mas, em 1993, depois dos confrontos, todos os documentos na escola foram roubados, e logo, perdi vontade de estudar. Até que um amigo apareceu tantas vezes aqui em minha casa para que eu continuasse a estudar», Júlio recorda, transparecendo gratidão no semblante.
. Júlio André dá aulas na localidade de Ngóa, comuna do Passe, no município do Bocoio. Tem a oitava classe feita e tem recebido superação pedagógica. Mas carrega ainda uma dor, a de não estudar. «A essa altura, a minha preocupação número um é encontrar alguém, que me ajude a sair na área em que estou a trabalhar, para que eu venha numa área onde pelo menos haja ensino médio – reforçou o compatriota – para ver se consigo concluir o ensino médio e, quem sabe, futuramente, para ver se conseguimos ir mais longe», sustentou. Júlio tem quase pronta a sua própria casa de construção definitiva. Mas, confessa, é difícil trabalhar a centenas de quilómetros longe da família. Ou não ficassem aproximadamente 200 Km entre a cidade de Benguela e a povoação de Ngóa. «Tem havido entendimento na família. Porque às vezes eu passo o fim-de-semana lá, quando não tiver passagem de regresso, mas, quando tiver, vou na segunda-feira e na sexta sou obrigado a vir para me avistar um bocadinho com a família», esclareceu. Quem cresceu sem os pais, sabe o que transmitir aos filhos. É o caso do marceneiro e professor, Júlio André. «Tenho estado a transmitir o espírito de que eles deviam estudar para terem uma formação, de maneira que amanhã, ainda que o pai ou a mãe não estiverem presentes, eles podiam conseguir se virar», concluiu.
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Refira-se que a rubrica “Nossa Homenagem” é oferta do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta
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AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação” Fonte:http://ajslobito.blogspot.com

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