terça-feira, 28 de abril de 2009

Ministra da Cultura de Angola visita Cabo Verde com Tarrafal na agenda

Uma delegação cultural angolana, chefiada pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, desloca-se este domingo a Cabo Verde a fim de fazer parte das sessões de trabalho do Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração de Tarrafal, a realizar-se de 29 deste mês a 1 de Maio.

A delegação integrará quadros séniores do Ministério da Cultura, historiadores e ex-presos políticos angolanos que, durante a época colonial, foram encarcerados no local. Organizado pela Fundação Amílcar Cabral, em colaboração com os Ministérios da Cultura de Angola e Cabo Verde, o simpósio pretende reunir antigos reclusos do Tarrafal provenientes de diferentes países, reconhecidas personalidades, políticos e estudiosos.

O encontro visa recolher testemunhos e documentos sobre a vida e as actividades dos antigos presos políticos para formar um acervo histórico e museológico sobre aquele campo de concentração. O encontro visa ainda organizar um debate sobre o legado histórico transmitido através dos exemplos de sacrifício dos antigos presos políticos do Tarrafal. O Campo de Concentração do Tarrafal foi instituído pelo regime fascista português, pela primeira vez, em Abril de 1936, sob o nome de Colónia Penal do Tarrafal/Campo de Trabalho de Chão Bom.

Fonte:www.visaonews.com

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Chinua Achebe apresenta hoje“Quando tudo se Desmorona”

Luanda - A obra “Quando tudo se Desmorona”, da autoria do escritor nigeriano Chinua Achebe é lançada nesta quinta-feira (23), na Biblioteca Nacional, soube hoje à Angop, de fonte do Instituto Nacional do Livro e do Disco. Segundo a fonte, o livro publicado em 1958 sob o título original “all things fall apart”, foi saudado um pouco por todo o mundo nos meios académicos em conferências diversas. Neste trabalho, Chinua Achebe alia às técnicas convencionais do romance, a estética da oralidade africana, sendo por isso mesmo considerado “o pai da moderna literatura africana”. O livro, segundo os críticos, revolucionou a percepção que o Ocidente tinha de África. O mesmo fala de um apocalipse menor, “a chegada da civilização” a uma tribo da baixa Nigéria, no fim do século XIX. Por um lado, o romance faz parte do currículo oficial em escolas africanas e em países anglo-saxónicos por ser visto como o arquétipo da literatura moderna africana e foi um dos primeiros a ser escrito em língua inglesa, como a ser aclamado mundialmente. Com esta edição, o INALD relança a “Colecção Vozes de África” para procurar revelar aos leitores os nomes mais representativos da literatura africana, promovendo o

5ª Aniversário da UniPiaget Benguela

No dia 10 de Maio de 2009, a UniPiaget completará 5 anos de existência. Para saudar a efeméride, um conjunto diversificado de actividades estão sendo preparadas. Com o intuito de colher subsídios dos chefes de turmas a direcção convocou os chefes de turmas apara um encontro no dia 25 de Maio pelas 9horas no anfiteatro 1. Não faltes e traga as tuas sugestões para as actividades que vamos realizar no âmbito do programa comemorativo dos 5 anos de existência da UniPiaget - Polo de Benguela. "cada vez mais coesos, mais fortes e actuantes"

Literatura

Escritora Isabel Ferreira leva "O Guardador de Memórias" aos leitores de Cabinda

A escritora angolana Isabel Ferreira tem prevista para o dia 23 deste mês a realização de uma sessão de autógrafos e de venda, na província de Cabinda, do seu mais recente título literário "O guardador de memórias".

Segundo a autora, em declarações à Angop, a actividade em Cabinda enquadra-se no seu programa de divulgação da literatura angolana, em geral, e do seu trabalho em particular.

"É uma forma de fazer chegar aos leitores das demais províncias o meu trabalho literário. Além disto, vou procurar juntar o útil ao agradável, já ocorrerá numa data dedicada mundialmente ao livro", disse.

A escritora esteve já em Benguela onde realizou actividade semelhante, a par das que tiveram lugar no Canadá, Brasil e Portugal.

"O Guardador de Memórias" é um livro cujos contos são baseados no desabafo de algumas mulheres angolanas descontentes "com o seu mundo sentimental e social" e revela uma faceta pouco explorada da realidade nacional.

Editada pela Kujiza Kuami, o livro, que é uma ficção, abre com a letra da música "Um assobio meu", de autoria do falecido músico Alberto Teta Lando, como prólogo. A obra contém 331 páginas. Já foi lançada no Canadá, nos EUA, Brasil, Cabo Verde e Moçambique. A escritora, que nasceu em Luanda aos 24 de Maio de 1958, licenciou-se em direito, em Angola, e em dramaturgia na Escola Superior de Teatro e Cinema de Amadora, Portugal. Do seu repertório constam os livros de poesia: "Laços de Amor", lançado em 1995, "Caminhos Ledos”, em 1996,"Nirvana", em 2004, e "A Margem das Palavras" em 2006. Em prosa tem publicado "Fernando D'aqu", em 2005, e "O Guardador de Memórias".

A proposito do "Marcas de Angola"

Mercado nacional está aberto a novas marcas, afirma empresária

Luanda - A empresária angolana Emília Abrantes afirmou hoje, em Luanda, que o mercado angolano está preparado para receber novas marcas, de preferência nacionais, apesar da crise económica financeira que o mundo enfrenta.

Emília Abrantes fez este pronunciamento à Angop, à margem do II Congresso Nacional de Marcas de Angola que decorre desde quarta-feira, no Futungo de Belas, em Luanda, com encerramento previsto para sábado (dia 25).

Segundo a interlocutora, o mercado nacional encontra-se por ser descoberto pelos criadores e investidores, mas tudo passa pelas políticas que os mesmos têm que adoptar.

“Um dos segredos passa pelo marketing, o fenómeno que mais sobressai ao fazermos um investimento, quando pensarmos em lucro. Mas existem outros itens, como o dinamismo, a capa cidade de liderança e domínio do mercado. Isto tudo é necessário quando se aposta num mercado pioneiro”, acrescentou.

Para a sócia gerente da empresa “Glamour em Festas”, o Congresso vem em boa altura porque vai trazer coisas novas, num momento de crise económica mundial.

Emília Abrantes apelou aos empresários que têm criado marcas “Made in Angola” que apostam cada vez mais na valorização dos quadros nacionais, de modo a edificar-se um país que produz material com técnicos angolanos.

Fonte:http://www.portalangop.co.ao

É preciso pensar sobre:

A importância da literatura por Mario Vargas Llosa (foto)

Em feiras de livros ou mesmo livrarias, freqüentemente alguém se aproxima pedindo-me autógrafo. "É para minha mulher, filha ou mãe", explica. "Ela adora ler!" De pronto pergunto: "E o senhor? Não gosta de ler?" E a resposta é quase sempre a mesma: "Gosto, mas sou muito ocupado."

Já ouvi essa explicação dezenas de vezes. Esse homem - e milhares outros como ele - tem tantos afazeres importantes, tantas obrigações e responsabilidades, que não pode perder seu precioso tempo mergulhado num romance.

Segundo esse raciocínio, a literatura seria uma actividade dispensável, uma diversão que somente pessoas com muito tempo livre poderiam se permitir.

Gostaria de apresentar alguns argumentos contra a idéia da literatura como passatempo e em prol de considerá-la, além de uma das ocupações mais estimulantes e enriquecedoras do espírito humano, uma actividade insubstituível para a formação de cidadãos na sociedade moderna e democrática. Por essa razão, ela deveria ser semeada nas famílias desde a infância e fazer parte de todos os programas educacionais.

Vivemos numa era de especialização em virtude do extraordinário desenvolvimento da ciência e da tecnologia, e da conseqüente fragmentação do conhecimento em incontáveis avenidas e compartimentos.

A especialização traz benefícios. Possibilita pesquisa e experimentos, e é a força motriz do progresso. Mas também destrói os denominadores comuns culturais que permitem a coexistência, a comunicação e a solidariedade. E leva à separação dos seres humanos em guetos culturais de especialistas, confinados - pela linguagem, por códigos de conduta e pelo conhecimento particularizado - a uma especificidade contra a qual um antigo provérbio já nos advertia: não se concentre tanto na folha, a ponto de esquecer que ela é parte da árvore e esta, da floresta.

Em grande medida, a noção da existência dessa floresta depende do senso de conjunto que une a sociedade e não a deixa se desintegrar numa centena de especificidades. A ciência e a tecnologia, portanto, já não podem desempenhar esse papel unificador da cultura.

A literatura, por sua vez, foi e, enquanto existir, continuará sendo um denominador comum da experiência humana. Aqueles de nós que leram Cervantes, Shakespeare, Dante ou Tolstoi entendem uns aos outros e se sentem indivíduos da mesma espécie porque, nas obras desses escritores, aprenderam o que partilhamos com seres humanos, independentemente de posição social, geografia, situação financeira e período histórico.

Nada nos protege melhor da estupidez do preconceito, do racismo, da xenofobia, do sectarismo religioso ou político e do nacionalismo excludente do que esta verdade que sempre surge na grande literatura: todos são essencialmente iguais. Nada nos ensina melhor do que os bons romances a ver nas diferenças étnicas e culturais a riqueza do legado humano e a estimá-las como manifestação da multifacetada criatividade humana.

Ler boa literatura é ainda aprender o que e como somos - em toda a nossa humanidade, com nossas ações, nossos sonhos e nossos fantasmas -, tanto no espaço público como na privacidade de nossa consciência. Esse conhecimento se encontra apenas na literatura. Nem mesmo os outros ramos das ciências humanas - a filosofia, a história ou as artes - conseguiram preservar essa visão integradora e um discurso acessível ao leigo, pois também eles sucumbiram ao domínio da especialização.

O elo fraternal que a literatura estabelece entre os seres humanos transcende todas as barreiras temporais. A sensação de ser parte da experiência coletiva através do tempo e do espaço é a maior conquista da cultura, e nada contribui mais para renová-la a cada geração do que a literatura.

O que a literatura deu à humanidade, então?

Um de seus primeiros efeitos benéficos ocorre no plano da linguagem. Uma sociedade sem literatura escrita se exprime com menos precisão, riqueza de nuances, clareza, correcção e profundidade do que a que cultivou os textos literários.

Uma humanidade sem romances seria muito parecida com uma comunidade de gagos e afásico. Isso também vale para o indivíduo. As pessoas que nunca lê, lê pouco ou lê apenas lixo pode falar muito, mas vai sem dizer pouco, porque dispõe de um repertório mínimo de palavras para se expressar.

Não se trata de uma limitação somente verbal, mas também intelectual, uma indigência de idéias e conhecimento, porque os conceitos pelos quais assimilamos a realidade não são dissociados das palavras que nossa consciência usa para reconhecê-los e defini-los.

Nenhuma disciplina substitui a literatura na formação da linguagem. O conhecimento transmitido por manuais técnicos e tratados científicos é fundamental, mas eles não nos ensinam a nos exprimir corretamente. Ao contrário, com frequência são mal escritos porque os autores, às vezes expoentes indiscutíveis em sua profissão, não sabem transmitir seus tesouros conceituais.

Outro motivo para se conferir à literatura um lugar de destaque na vida das nações é que, sem ela, a mente crítica - verdadeiro motor das mudanças históricas e melhor escudo da liberdade - sofreria uma perda irreparável. Porque toda boa literatura é um questionamento radical do mundo em que vivemos. Qualquer texto literário de valor transpira uma atitude rebelde, insubmissa, provocadora e inconformista.

A literatura apazigua essa insatisfação existencial apenas por um momento, mas nesse instante milagroso, nessa suspensão temporária da vida, somos diferentes: mais ricos, mais felizes, mais intensos, mais complexos e mais lúcidos. A literatura nos permite viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites. Como não nos sentirmos enganados depois de ler "Guerra e Paz" ou "Em Busca do Tempo Perdido" e voltar a este mundo de detalhes insignificantes, obstáculos, limitações, barreiras e proibições que nos espreitam de todo canto e em cada esquina corrompem nossas ilusões?

Quer dizer, a vida imaginada dos romances é melhor: mais bonita e diversa, mais compreensível e perfeita. Talvez seja esta a maior contribuição da literatura ao progresso: lembrar que o mundo é malfeito, e que poderia ser melhor, mais parecido com o que a imaginação é capaz de criar.

A sociedade livre e democrática requer cidadãos responsáveis, críticos, independentes, difíceis de manipular, em constante efervescência espiritual e cientes da necessidade de examinar continuamente o mundo em que vivemos, para tentar aproximá-lo do mundo em que gostaríamos de viver.

Sem insatisfação e rebeldia, ainda viveríamos em estado primitivo, a história teria parado, o indivíduo não teria nascido, a ciência não teria alçado vôo, os direitos humanos não teriam sido reconhecidos e a liberdade não existiria. Tudo isso nasce dos atos de desafio a uma vida que se mostra insuficiente ou intolerável. Para esse espírito que despreza a vida como ela é - e, com a insensatez de Dom Quixote, tenta tornar o sonho realidade -, a literatura serve de magnífica espora. A verdade é que o desenvolvimento da mídia audiovisual - que ao mesmo tempo que revoluciona as comunicações monopoliza cada vez mais o tempo que dedicamos ao lazer, relegando a leitura a segundo plano - permite-nos imaginar para um futuro próximo uma sociedade moderníssima, repleta de computadores, telas e microfones, mas sem livros.

Temo que esse mundo cibernético seja profundamente incivilizado, sem espírito, apático - uma resignada humanidade de robôs.

Evidentemente , é muito improvável que essa terrível perspectiva venha algum dia a se concretizar. Não existe um destino que decida por nós o que vamos ser. Depende de nosso discernimento e de nossa vontade que essa utopia macabra se realize ou se apague.

Se queremos evitar o desaparecimento dos romances - ou sua restrição ao sótão dos objectos inúteis - e com isso o desaparecimento da própria fonte que estimula a imaginação e a insatisfação, que refina nossa sensibilidade e nos ensina a falar com eloquência e precisão, que nos torna livres e nos garante uma vida mais rica e intensa, então devemos agir. Precisamos ler bons livros e incitar à leitura os que vêm depois de nós.

(*) Este texto ao lado é da março de 2003 da revista Seleções Reader's Digest (http://www.selecoes.com.br). O título original é "Um mundo sem romances". Mario Vargas Llosa é escritor peruano.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O país que temos

Todos sabemos que a guerra destruiu o país: infra-estruturas de todo tipo, recursos humanos e matérias, etc. Foram grandes as perdas que o país consentiu ao longo do conflito armado. O momento actual exige de todos angolanos muito trabalho e dedicação. Isto se torna óbvio, quando olhamos para as muitas estradas ainda por se reabilitar, pontes, escolas e hospitais por se construir. Mas, para alguns, este óbvio não lhes está a vista. Acreditem ou não, existem angolanos que se recusam a participar da reconstrução nacional sob pretexto de não terem sido eles os causadores de tal destruição. Isto deixa triste qualquer cidadão que tenha um palmo de consciência. Cuidar das nossas ruas, praias, jardins, parques e outros lugares de lazer constitui obrigação de todos. As escolas, os hospitais são patrimónios de públicos devemos velar por eles. Fazer derrapagem com carros na via publica é definitivamente uma prática condenável. O empresário que foge ao fisco, o governante que se deixa corromper, o pai que nega a paternidade e o jovem que insiste em viver da caridade dos outros são todos cidadãos que se recusam contribuir para reconstrução nacional. Recentemente visitei as províncias mártires do Bié e do Huambo. Gostei do vi. O espectro da guerra já não é cartaz visita. Pude ver cidades lindas e bem asseadas, estradas devidamente sinalizadas e uma consciência do dever mais presente no cidadão. Em Benguela ou Luanda o quadro certamente é oposto. Luanda tem sinalização mas, não há cidadãos para cumpri-las. Tem ruas lindas porém, sujas. Benguela não tem sinalização nem cidadãos suficientes para cumpri-las. Arrisco-me aqui a afirmar que as cidades do interior são as que mais integras se mantiveram ao longo dos anos de guerra. E é de lá que os exemplos de vem ser tirados, porque este é o país que temos.

Martinho Bangula

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