sexta-feira, 4 de março de 2011

I Jornadas Pedagógicas da Unipiaget Benguela: "Inovar no Ensino Universitário"

No passado dia 03 de Março, decorreram nas instalações da Unipiaget Benguela as I Jornadas Pedagógicas da Unipiaget Benguela, com o Sub-tema "Inovar no Ensino Universitário".

Pela primeira vez, e planeia-se que não pela última, a Universidade Jean Piaget Benguela, organizou um evento exclusivamente dedicado e pensado por e para Docentes Universitário. E este é o primeiro passo de uma longa caminhada...

Contamos com a presença do Professor Doutor Manuel Kalembo, que acabou de regressar da Alemanha após a finalização do seu Doutoramento e nos deu a honra, de fazer a sua primeira comunicação em eventos científicos após o seu regresso. Foi com muita atenção e alguns risos, que os docentes viram as suas ideias expostas plenamente pelo Prof. Manuel Kalembo, que realçava o seu discurso com pequenas histórias, fábulas e metáforas.

De seguida, tivemos o prazer de ouvir a Mestre Lídia Silva que, depois de percorrer o mundo, tendo trabalhado na Bulgária, em Portugal, em Angola, em Moçambique e agora, de novo, em Angola, partilhou connosco algumas abordagens INOVADORAS que podem e devem ser adaptadas ao ensino universitário como, a Tutoria, a Mentoria, as NTIC's, a utilização de métodos activos (casos práticos, Problem-based Learning, etc.) como oposição aos métodos passivos, nomeadamente as clássicas aulas expositivas.

Após um almoço, oferecido pela Universidade Jean Piaget a todos os docentes, a sessão da tarde foi reservada exclusivamente às práticas internas, ou seja, a aspectos técnico-pedagógicos de funcionamento da Universidade e a sessão foi dinamizada pela  Dra. Joana Simplício.

A última iniciativa passou pela Oferta de um CD Técnico-Pedagógico a todos os Docentes, cujo número se aproxima a passos largos das duas centenas! O CD foi criado exclusivamente para docentes e Coordenadores e contem todo o material necessário para o exercicio da docência na Universidade.

Enquanto que a Sessão de Abertura foi realizada pela Vice-Reitor Prof. Dr. Bonifácio Tchimboto, coube ao Administrador do Pólo, Eng. Mário Rui Ferreira, fechar esta iniciativa, demarcando e relembrando mais uma vez, que o ano de 2011 foi eleito como sendo o "ANO DA QUALIDADE" na Universidade Jean Piaget.

E, realmente, essa QUALIDADE, que já existia, mas que se torna agora profundamente intencional, operacionalizada e consciente, inaugura hoje com esta iniciativa.

A mensagem principal deste evento foi, sem dúvida, que os “professores tradicionais” (e todos sabemos o que se quer dizer quando se diz isto!) estão mesmo a acabar! O professor que, do seu pedestal, dita conteúdos que julga serem infalíveis está condenado à extinção.

A teoria da selecção natural de Charles Darwin demorou quase 100 anos a ser aceite pela comunidade científica, porém, actualmente, todos sabemos que apenas sobrevivem os mais ágeis e os mais adaptados e, logo, com maior probabilidade de sucesso.

O professor de sucesso é o que é ouvinte e não só falante, é o que coloca os estudantes a contactar directamente com coisas e ideias em vez de impor as suas e é, acima de tudo, o que “só sabe que nada sabe”…

Em próximos anos, o objectivo principal da Universidade com estas Jornadas, é partir para iniciativas cada vez mais práticas e, de preferência, dinamizadas em pequenos grupos (por exemplos, Workshops) direccionados para os docentes mas organizados por áreas opcionais ao longo dos vários dias do evento.

No entanto, perseguindo a lógica participativa que a Unipiaget sempre tenta seguir, aceitam-se sugestões para as II Jornadas Pedagógicas da Unipiaget Benguela, a decorrerem em Março de 2012.

Por: Patrícia Araújo (GAPE)




Fotografias das I Jornadas Pedagógicas da Unipiaget Benguela


















quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

UNIVERSIDADE JEAN PIAGET ANGOLA

10 ANOS de ENSINO de CONFIANÇA de EXIGÊNCIA e de QUALIDADE.

A participação activa no desenvolvimento humano e ecológico das diferentes comunidades e povos sempre esteve presente na missão do Instituto Piaget Portugal. Para cumprir este objectivo, em 1998, celebrou um acordo com o Ministério da Educação e Cultura de Angola, ao abrigo do qual, em 1999, criou a Associação Instituto Piaget Angola (AIPA), entidade promotora da Universidade Jean Piaget, cuja criação pelo Conselho de Ministros em Julho de 2001 visa a formação de quadros superiores “proporcionando-lhes uma formação científico-técnica sólida, habilitando- os para o exercício e a capacidade de análise crítica necessários para o desenvolvimento da sociedade”.

No ano lectivo de 2005/2006 diplomou o primeiro grupo de licenciados e iniciou a actividade lectiva no Pólo de Benguela, dando cumprimento ao estipulado no acordo com a tutela.

Dez anos de confiança num ensino exigente que visa a empregabilidade de alunos que se matriculam sabendo que partem todos ao mesmo tempo, mas uns acabam primeiro que outros.
Dez anos de exigência que conduziu a uma taxa de empregabilidade de 100% entre os formados pela UniPiaget Angola e que permite aos seus 12.000 alunos ter confiança no ensino que lhes é ministrado em cada uma das 17 licenciaturas que frequentam.

Dez anos de procura de qualidade na formação humana e cientí co-técnica de quadros superiores com capacidade para serem factores de desenvolvimento socioeconómico. As parcerias com empresas e instituições nacionais e internacionais permitem direccionar a exigência na qualidade para um ensino no qual os licenciados e os empregadores con am. A próxima década já se iniciou. Empresas como a TOP Informática, Consulgal,Betoteste e outras já participam na defi nição das competências e na adequação da formação às necessidades do mercado de emprego. Entidades congéneres como as Universidades de Coimbra e do Minho estão a cooperar com a UniPiaget Angola no processo ensino/aprendizagem através do intercâmbio de alunos, professores e investigadores.

Os próximos dez anos continuarão a ser norteados pelos princípios da solidariedade, convívio e promoção social que norteiam a actividade da AIPA.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES

Como vai a comunicação na sua empresa?

 
Os mercados cada vez mais concorrentes exigem maior dinamismo de todos os actores. As empresas que perseguem altas produtividades não mais se satisfazem com dirigentes ou responsáveis. Elas precisam de lideranças. Pessoas capazes mobilizar os funcionários em torno dos grandes objectivos da empresa. E não simples burocratas ou controladores. Para isso estão em jogo as competências comunicativas do gestor. Caso este não as possua, deverá socorrer-se de um corpo de assessores para o feito, sob pena de incorrer que certos gestores vêem fazendo, as suas empresas por conta da sua aversão a comunicação. Disso, falaremos mais adiante. Entretanto, existem gestores que confundem informação com comunicação. Vivem produzindo informações que nem sempre circulam do modo certo em toda a estrutura da empresa. Estes homens e mulheres assumem-se como “autênticas máquinas de fazer despachos” ou invés de comunicadores que é, o que se espera de qualquer timoneiro.

Em determinados contextos, informação e comunicação são sinónimos; noutros, tem significados diferentes.
Um despacho informa uma decisão ou explicita um determinado procedimento. O que não gera necessariamente mudança de atitude. Ademais, a rotina laboral tem vícios próprios. As lideranças devem conhecer estes pergaminhos para conseguirem fazer passar por eles as metas, valores e a missão da colectividade, ao mesmo tempo que estabelece o espírito de pertença que gera comprometimento, elemento indispensável ao alcance do maior desiderato da firma: a produtividade. Isto, faz-se comunicando e, não despachando as coisas.

Diariamente as empresas produzem um leque de informações diversificadas. Para que estas informações influam na vida dos funcionários e concomitante, da empresa, é imperiosa a criação de mecanismos internos de comunicação. Isto é, precisa-se dar espírito as informações. Neste caso, a forma como a informação é passada faz a diferença. Ela precisa ser comunicada e não apenas transmitida.

A comunicação envolve com conjunto de signos sempre conjunturais e por isso, provisórios. Assim, para que toda a empresa fale a “mesma língua” é preciso que todos conheçam os signos. Tal desiderato pode ser alcançado quanto mais frequente for o exercício comunicativo quer a nível interpessoal (entre chefias, entre colegas, entre chefe e subordinado), grupal (dentro dos departamentos), intergrupal (entre departamentos) assim, serão mais rapidamente partilhados os significados e consolidados os métodos e aperfeiçoados os canais de comunicação, criando lentes que levam o individuo (funcionário ou chefe) a entender a sua posição e acção e a dos outros na empresa.

Ao contrário de um simples circuito de informação, o sistema de comunicação quando bem estruturado permite uma interacção maior dos elementos da firma numa cadeia hierárquica quer em sentido vertical ascendente ou descendente quer no sentido horizontal para os grupos pares. Deste modo evitam-se os canais alternativos que criam o “boato” perigam a produtividade.

A mais de um ano que desenvolvo um programa de aproximação de lideranças numa grande empresa. O programa consiste aproximação das chefias com as diversas áreas subordinadas. No início, tudo parecia muito difícil e confuso. Os briefings que se realizam semanalmente as segundas, mudavam constantemente de dias. Depois eram todos os dias. Os funcionários que tinham quase sempre uma lista de problemas apresentar as chefias (na sua maioria contra a pessoa do chefe e não sobre os trabalho), passaram a apresentar questões mais ligadas ao trabalho, tais como a satisfação dos clientes, o comportamento da concorrência, fidelização de clientes e outros afins. Nessa empresa, não havia comunicação. As chefias estavam distantes dos níveis inferiores por isso, não os compreendiam. Isso gerava uma atitude defensiva da parte dos funcionários, por essa razão eles, ao invés de fazerem o trabalho para o qual eram pagos, aventuravam-se a fazer análises psicológicas (ou psicóticas?) das chefias.

Provavelmente a sua empresa vive uma situação similar. Você está sempre a ver defeito nos seus funcionários. Os seus funcionários “odeiam” você. Ambos sabem disso. Mas, ninguém faz nada para quebra a barreira. Enquanto isso, a empresa é que perde.

Os funcionários odeiam sentir-se meros executores ou mão-de-obra. Eles amam sentir-se integrados na concepção e avaliação do seu desempenho. Reduzir o funcionário a mero executor é como passar-lhe um atestado de mercenário ou biscateiro da empresa. Por ele, passa a trabalhar porque lhe pagas um salário e não porque faz parte da empresa. Como afirmamos acima, retomamos agora aos aspectos nocivos a saúde financeira da empresa directamente resultante da má, fraca ou ausente comunicação empresarial.

Quando os membros de uma equipa não se comunicam, eles facilmente entram em conflito. E o conflito é seguramente o maior inimigo da estabilidade numa empresa. E uma empresa somente atinge altos níveis de lucractividade se for estável. Estamos todos recordados os episódio que ocorreu no seio da dos Palanquinhas durante a campanha para CAN2010, envolvendo o técnico Manuel José e o avançado Manucho Gonçalves. Fez-se alarido que bastou em torno do virar de costas. Mas, a falha estava na comunicação. Até hoje ficaram por se avaliar as consequências psicológicas do episódio no desempenho da nossa selecção no CAN que acolhemos.

Outros exemplos mais poderiam se elencados aqui. Porém, este não é o propósito deste artigo. Queremos tão-somente, chamar a luz para a importância da comunicação no seio das empresas. Lembrando que, quando bem assistida, ela só pode resultar em benefícios para empresa. Segundo Marlene Marchiori, doutora em Ciências da Comunicação, os empregados são parceiros e quanto mais bem informados estiverem, mais envolvidos com aquela empresa, sua missão e seu negócio, eles estarão. A Comunicação interna amplia a visão do empregado, dando-lhe um conhecimento sistémico do processo. “As acções da empresa devem ter sentido para as pessoas – sendo necessário que encontrem no processo de comunicação as justificativas para o seu posicionamento e comprometimento”.

Suportamos e completamos a ideia com a afirmação do professor Bueno: “funcionários descontentes, mal informados, geram prejuízos imensos às organizações porque podem expressar, com mais autenticidade do que outros públicos, os valores positivos ou negativos da cultura organizacional. Fica fácil acreditar no que eles dizem porque, afinal de contas, eles estão vivendo lá dentro. Como sabemos, a imagem e a reputação se formam assim, a partir de pequenas vivências e convivências e os públicos internos têm papel fundamental neste processo”.

A terminar, lanço o repto a todos os gestores no sentido de aceitarem o desafio de deixarem de ver a comunicação interna como “assunto de terceira” e passarem a accionar os vários mecanismos e canais actualmente existentes, nomeadamente, os briefings, o mural, o boletim, a internet, e outros com o fim de tornar as suas empresas mais saudáveis, comunicativamente falando.

Por: Martinho BANGULA

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

É DE DAR SAUDADES ...A PIAGET ESTÁ RUBRA

REGRESSO



Quando eu voltar,
que se alongue sobre o mar
o meu canto ao criador
que me deu vida e amor


para voltar!...

Voltar!
Ver de novo o balouçar
Da fronte majestosa das palmeiras
Que as horas derradeiras do dia

Circundam de magia.


Regressar !

Poder de novo respirar -

ó minha terra -

aquele odor escaldante
que o húmus vivificante
do teu solo encerra.

Embriagar uma vez mais o olhar,
numa alegria selvagem,
no tom gritante da tua paisagem
que o sol a dardejar calor
transforma num inferno de cor.


Não mais o pregão das varinas
nem o monótono, igual, do casario plano.

Hei-de ver outra vez as casuarinas
a debruar o oceano.

 
Não mais o agitar fremente
duma cidade em convulsão.

Não mais esta visão
nem o crepitar mordente deste ruído.


Os meus sentidos anseiam pela paz
das noites tropicais
em que o ar parece mudo
e o silêncio envolve tudo.

Tenho sede !
Sede dos crepúsculos africanos


Todos os dias iguais
de tons quase irreais.
Tenho saudades !

Saudades do horizonte sem barreiras,
das calemas traiçoeiras,
das cheias alucinadas !



Saudades das batucadas
que eu nunca via
mas pressentia em cada hora
soando pela noite fora !



Sim, eu hei-de voltar.

Tenho de voltar !



Não há nada que mo impeça.
Com que prazer hei-de esquecer
toda esta luta insana,
que em frente está terra angolana
a prometer o mundo a quem regressa.
Oh ! Quando eu voltar,
hão-de as acácias
rubras, a sangrar,
florir só para mim.

E o sol esplendoroso e quente,
o sol ardente,
há-de gritar,
na apoteose do poente,
o meu prazer sem lei,
a minha alegria enorme
de pode enfim dizer:


 
VOLTEI !


ALDA LARA

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A CORRUPÇÃO NÃO TERMINOU A CORRUPÇAO em Angola é um vírus que virou “COSTUME”

POR: Afro génio


Foto tirada no auditório do palácio do governo provincial do K kubango, aquando da visita dos estudantes de Direito do 5º ano diurno, naquela província…

Desde os tempos dos antigos reinos que o “vírus” da corrupção tem tomado conta das “veias” dos angolanos. Registos históricos, confirmam que o “vírus” já existia nalguns reinos da Angola pré-colonial.(...).
            - Como é que começou então o maldito “vírus”?! Ora, não sabem ao que me refiro não é?! Pois é,  eu explico. Mas antes, permitam-me dar-vos algumas dicas sobre o verdadeiro sentido do termo “costume”:
O dicionário de língua portuguesa define-o como sendo «a regra que resulta do uso generalizado e prolongado, e para cujo desrespeito existe uma sanção». A doutrina jurídica define-o como sendo a prática reiterada de um determinado povo, com a ideia de obrigatoriedade. Assim,  quando este não fere a lei ou quando a lei não o abarca -costume praeter legem – é geralmente usado como fonte mediata do Direito (no caso angolano, artigo 3ºcc), mas se o mesmo viola os preceitos legais, os bons princípios e a paz social a qual o direito visa proteger – costume contra legem – então, não se verifica a situação anterior, neste caso, a sua aplicação como fonte é proibida porque é contra a lei.
Os caros leitores devem estar a perguntar-se, o que é que isso tem a ver com a corrupção? Não é? Não se preocupem porque em breve entenderão. Mas por agora, voltemos à explicação:
Dizia que o “vírus” da corrupção é de longa data. A História de Angola assegura-nos que nos antigos reinos tais como: os do Congo, Ndongo Bailundo e outros menores, certas práticas – como a troca de escravos por mercadorias – só foram possíveis, por causa do frágil ego de certos  representantes desses reinos naquela altura. Sabe-se que em troca de espelhos e outros bens improfícuos, alguns reis (…) que representavam certos reinos de Angola na altura (…), chegaram a entregar seus irmãos negros (refiro-me a pessoas negras como eles) para a escravidão, isto é, entregavam pessoas em troca de espelhos e outros bens de pouco valor. (veja a “guerra de kuata kuata”, em “Historia de Angola”, 4º, 5º e 6ºanos de escolaridade). Já viram que burrice?! Imaginem… vidas humanas em troca de bens sem qualquer valor comparável. Pois, é a isto que nos leva a corrupção. - Atordoa a cabeça das pessoas, por causa da ambição doentia e o imediatismo, leva-nos a cometer loucuras por coisas de pouco valor. Atropelando normas de boa conduta social, princípios e valores morais, por coisas banais. Em situações mais criticas, faz com que seja posta em causa, vidas humanas –. Dá para acreditar nisso?!
Estou ciente que os caros leitores já sabiam dessa triste história sobre a nossa Angola. E os nossos antepassados já choraram muito. Não por eles, mas por Angola. Por nós, gerações vindouras (na época deles). Por isso, já não precisas chorar mais. Afinal, há muito que isto terminou. Só que não podemos falar o mesmo em relação à corrupção. Porque permaneceu nas veias de alguns angolanos, até à data de hoje. É incrível não é?!
Vejamos: para conquistar a sua independência, alguns angolanos foram corrompidos a lutar contra seus compatriotas por ganância, luta pelo poder etc., etc…   
 - Por conta disso, no pôs-independência, o país sempre viveu momentos de tensão. Por questões histórico-politicos, foi implantado no país o regime socialista, regime este que não concebe a propriedade privada, ou seja, a economia, os meios de produção e a distribuição dos bens é controlada pelo estado. Esse regime tem como etapa final o comunismo que «é uma estrutura socio-económica e uma ideologia política, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes e apátrida, baseada na propriedade comum e no controle dos meios de produção e da propriedade em geral» (ver: Récits de la Kolyma, de Varlam Chalamov, 2003., em www.wikipedia.com). É certo que este modelo politico, proporcionou muitos benefícios ao povo angolano naquele contexto histórico do país (os “kotas” que o viveram, que o digam). (queremos apenas realçar um dos aspectos negativos que a queda desse regime concebeu, para efeito de analise do nosso artigo).
  Com a queda do socialismo, houve necessidade de dar ao país, uma nova realidade política. Angola foi proclamada estado de direito – baseado no respeito pelos direitos universais do homem, no pluripartidarismo e na economia de mercado –, que se efectivou com a realização das primeiras eleições gerais. Bem, sobre isso todos já sabemos. Não é verdade? Tanto é que sabemos, igualmente que, tais eleições não decorreram bem. Não é? Porque?!
 - Quanto a este assunto, espero somente o vosso comentário. A verdade é que o país voltou a conhecer uma vasta guerra civil. Estão lembrados? É impossível esquecer-se disso. Mas também passou. O que não terminou meus amigos é a corrupção. É um vírus que virou moda em Angola. É um costume, só que daqueles que a lei não permite. Mas muitos angolanos infelizmente têm-no na veia. Em alguns, já transpôs esse nível. Está já nos ossos. A corrupção é um vírus que sobrepujou de geração em geração, até aos nossos dias. Rompeu as barreiras do tempo, passou da troca de espelhos por escravos, à troca de serviços e bens, por dinheiro ou outros – favores –, (ou seja, «uma mão lava a outra» é assim que se tem dito), resistiu à escravatura, às guerras de resistência contra a escravidão, no pós-independência, até hoje. (bem haja a TOLERANCIA ZERO).
Digamos que a democracia veio introduzir dentre os outros elementos já aqui citados, um elemento novo na realidade dos angolanos: a propriedade privada e o seu incentivo (ora, não há mal nisso). Mas a guerra que se seguiu, atrapalhou o processo de organização social dessa nova realidade. Processo este que consistiria essencialmente, na educação democrática e jurídica, no respeito pelos direitos fundamentais da pessoa…
Assim muita coisa foi “atropelada”. Alguns cidadãos colocaram na mente que eram livres e podiam fazer o que quisessem, passando da liberdade à libertinagem. Nesta fase de guerra, muitos tiveram que abandonar o que já haviam possuído, fugindo para regiões mais seguras, e outros, não tiveram oportunidade de educar os seus filhos, porque em vez disso, garantiam a sua sobrevivência. O Estado por sua vez, não teve possibilidades de garantir um sistema de ensino digno para os seus cidadãos. Mesmo o fazendo com muito esforço, não foi possível que todos frequentassem as escolas. E porque em vez disso, esteve preocupado em livrar seu povo do sofrimento – da "GUERRA" –. Ora, esse pesadelo, só há quase nove anos terminou. Mas não deve servir de justificação de tanta corrupção. Ela só facilitou o processo (dos imoralistas; dos corruptos).
Muitos perderam os seus haveres, por abandono, por destruição…
Outros enriqueceram (não importa como. O facto é esse…)
Agora, todos querem recuperar o tempo perdido. Trabalhar e voltar a organizar a vida. Só que alguns fazem-no tão depressa que acabam por incorrer em praticas ilícitas para conseguir o que querem (por via da corrupção é claro). Imbuídos do espírito imediatista, querem adquirir casas, carros e outros bens de custo alto a curto prazo. E isto simplesmente não é possível. «Em uma hora pode-se destruir vários prédios. Mas é impossível construí-los no mesmo prazo», disse o PR no seu discurso sobre o estado da nação). E como não é possível fazê-lo de forma legal, fazem-no por via do “vírus”. Corrompem o sistema e de forma desonesta, desleal e infiel, vão adquirindo tudo o que lhes «apetece».     
Nos nossos dias é comum ouvir expressões como:

·         «Ganho setenta mil, mais os “business”, posso atingir aos cento e….»
·         «Para se subir na vida é preciso ter um emprego de muitos “business”»
·         «Tenho um canal …»
·         «Vou entrar no canal…»
·         «O emprego não me sustenta… o que me sustenta são os “business”»

- Mas, que “business” são estes?
- Qual é o entendimento desse termo no contesto angolano?
Ora, esta palavra é inglesa – designa: negócio; conjunto de instrumentos que proporcionam um determinado serviço (…) –, em Angola tal termo foi introduzido por via popular, mas com valor semântico relativamente pejorativo em relação ao significado original (do inglês). É assim que hoje podemos observar nos dicionários da língua portuguesa derivados dessa palavra tais como: bisneiro (a) – que significa por um lado, intermediador de negócios, por outro, corrupto. Esse último, que é o que caracteriza o valor semântico da palavra “business” das frases acima indicadas. Quer dizer que em Angola fazer “busisness” e conseguir algo através de um canal, equivale a alcançar coisas por meios ilícitos. É ser corrupto, ok?!

Bem. Pode-se dizer que o homem nunca está satisfeito com o que tem. Quer sempre mais. Na verdade, o homem é ganancioso por natureza. Mas, esse sentimento quando é bem gerido, não cria atrocidades sociais. Muito pelo contrário, causa benefícios na medida em que, ao se querer mais, mais será produzido. Mais bens e serviços serão criados, podendo haver desta forma um desenvolvimento social sustentável. E com base na troca, cada um poderá adquirir licitamente o que desejar. Que mal  há nisso?! É claro que não há mal nisso. Agora, quando a ganância é acompanhada de imediatismo e desonestidade é que gera a corrupção. Fazendo com que as pessoas não meçam os meios para conseguirem o que querem.
Reflectindo nesses termos, podemos concluir que tudo depende da nossa atitude, do nosso exemplo. (é preciso agir sempre com base nos princípios éticos e morais).   

Então, a solução não é se apontar o dedo, caros angolanos. A solução está em cada um de nós. A solução está nas nossas atitudes. Devemos banir as tentações que nos são impostas nas nossas relações, de trabalho principalmente, e em outros ambientes propensos a estas praticas. Sermos honestos e dignos, gerirmos os bens públicos com zelo e probidade, combatendo proporcionalmente os já desviados, são as chaves para combater o “vírus” da corrupção. A tolerância zero começa nas nossas mentes, começa em cada um de nós, nos nossos comportamentos e atitudes...
Bem-haja, a tolerância zero…


(Miguel de Jesus Marcelino Paxe)
Estudante do 5º ano de Direito
Diurno

terça-feira, 16 de novembro de 2010

I JORNADAS DE PSICOLOGIA: VISITE-NOS NA INTERNET



Visite e deixe os seus comentários e sugestões para o futuro

Uma iniciativa da Universidade Jean Piaget - Pólo de Benguela
GAPE - Gabinete de Apoio ao Estudante e Coordenação do Curso de Psicologia

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

CAMPUS UNIVERSITÁRO DE BENGUELA

 GANHA SALA DE PRÁTICAS DE DIREITO



O Campus Universitário da Piaget em Benguela conta,  desde quarta-feira 10 de Novembro, com uma sala, "tribunal" para a realização de práticas de direito. O espaço visa suprir a carência até então registada de espaços para licenciandos em direito poderem exercitar os seus conhecimentos em ambientes reais ou simulados. 


De acordo com Mário Rui Ferreira, administrador do Campus de Benguela quando discursava na cerimonia, "a sala irá não só atender aos nossos estudantes como a toda comunidade jurídica da província. Esta é, protanto uma sala da província de Benguela e não apenas da Piaget, podendo outros agentes se servirem delas sempre que necessitarem quer para exercícios (simulações de julgamentos) quer para julgamentos reais, desde que tal não implique a presença de forças policiais ou paramilitares no recinto escolar".


Aquele responsável referiu ainda que, com a inaguração da Sala de Práticas de Direito, a instituição que dirige dá um passo decisivo e inequívoco no cumprimento cabal de uma das suas atribuições cruciais: A investigação social e abertura para as comunidades. Assim, a Piaget pretende por meio do G.I.S - Gabinete de Investigação Social  aproximar-se cada vez mais das comunidades para conjutamente identifacar os seus problemas solidariamente os resolver.



Poderão utilizar a Sala de Práticas de Direito os estudantes que frequentem o 4º e 5º anos. De recordar que uma parte considerável destes, já está enquadrado no Plano de Práticas junto dos tribunais da província, onde exercem o papel de defensor oficiosos e outros de acessoria juridica.

No seio dos principais e directois beneficiarios da infraestrutura,  os estudantes, as reacções não se fizeram esperar. Cládio Inocêncio do 4º ano, disse a nossa reportagem estar de muito contente com a inaguração pois assim, não precisará abandonar o Campus Universitário para ter aulas práticas o que facilitará imenso a sua vida, uma vez que vive fora de Benguela.

A inaguração foi feita na presença de distintas personalidades, da política, justiça e governo local, e  esteve enquadrada nos festejos do 35º Aniversário da Independência Nacional. 
O corte da fita coube ao Dr. Joaquim Pinheiro, Director Provincial da Cultura que representou no acto Sua Excelência Armando da Cruz Neto, governador provincial.

Arquivo de Notícias