Heróis anónimos. Um marceneiro, professor e pai... «Tem havido entendimento na família», diz Júlio André

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Júlio André dá aulas na localidade de Ngóa, comuna do Passe, no município do Bocoio. Tem a oitava classe feita e tem recebido superação pedagógica. Mas carrega ainda uma dor, a de não estudar. «A essa altura, a minha preocupação número um é encontrar alguém, que me ajude a sair na área em que estou a trabalhar, para que eu venha numa área onde pelo menos haja ensino médio – reforçou o compatriota – para ver se consigo concluir o ensino médio e, quem sabe, futuramente, para ver se conseguimos ir mais longe», sustentou.
Júlio tem quase pronta a sua própria casa de construção definitiva. Mas, confessa, é difícil trabalhar a centenas de quilómetros longe da família. Ou não ficassem aproximadamente 200 Km entre a cidade de Benguela e a povoação de Ngóa. «Tem havido entendimento na família. Porque às vezes eu passo o fim-de-semana lá, quando não tiver passagem de regresso, mas, quando tiver, vou na segunda-feira e na sexta sou obrigado a vir para me avistar um bocadinho com a família», esclareceu.
Quem cresceu sem os pais, sabe o que transmitir aos filhos. É o caso do marceneiro e professor, Júlio André. «Tenho estado a transmitir o espírito de que eles deviam estudar para terem uma formação, de maneira que amanhã, ainda que o pai ou a mãe não estiverem presentes, eles podiam conseguir se virar», concluiu.
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Refira-se que a rubrica “Nossa Homenagem” é oferta do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta
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AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”
Fonte:http://ajslobito.blogspot.com
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